A HUMANIDADE CONTRA SI MESMA: PARA UMA NOVA INTERPRETAÇÃO EPISTEMIOLÓGICA DO RACISMO E DE SEU PAPEL ESTRUTURANTE NA HISTÓRIA E NO MUNDO CONTEMPORÂNEO – Carlos Moore

A HUMANIDADE CONTRA SI MESMA – PARA UMA NOVA INTERPRETAÇÃO EPISTEMIOLÓGICA DO RACISMO E DE SEU PAPEL ESTRUTURANTE NA HISTÓRIA E NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Carlos Moore

Introdução

O conhecimento histórico a respeito de quando, onde e por que teria surgido a protoconsciência racializada torna-se imprescindível para a compreensão das dinâmicas raciais contemporâneas. Não obstante, padecemos da ausência de parâmetros analíticos objetivos que nos permitam formular esquemas explicativos relativamente confiáveis para a elucidação dessa problemática. Ainda continuamos a usar marcos explicativos do racismo que carecem de profundidade histórica e, portanto, também de objetividade operacional. Assim sendo, encontramo-nos em uma espécie de cul de sac epistemológico, repleto de presunções desinformativas, que dificultam uma nova abordagem da questão. Este trabalho visa a contribuir para a saída desse cul de sac. Trata-se de um ensaio-síntese em que reunimos as principais conclusões às quais chegamos após várias décadas de pesquisas realizadas em diferentes partes do planeta relacionadas ao fenômeno do racismo e às suas diversas dinâmicas operacionais (econômicas, políticas, sociais, culturais, estéticas…). Elaborada de forma concisa e panorâmica, esta contribuição pretende abalar as suposições predominantes e suscitar debates, porém sem estabelecer certezas. Nosso objetivo é apresentar certas pistas analíticas, que poderiam contribuir para a elaboração de um esquema explicativo alternativo a respeito do surgimento e da expansão do complexo e brutal processo de inferiorização total de uma parte da humanidade por outra. Nossa abordagem, arraigada na razão crítica e não em sentimentalismo ecumênico, sugere enfaticamente que estaríamos padecendo de uma excessiva idealização da Humanidade e de suas origens no Reino Animal, e que essa concepção ideal nos impediria de analisar com a devida objetividade um fenômeno tão complexo quanto o racismo. Ainda que a idealização possa reconfortar no âmbito individual, é ineficaz na hora do enfrentamento e da resolução dos problemas sociais recalcitrantes. A nosso ver, o racismo é o problema mais persistente e perigoso dos dilemas enfrentados pelo mundo contemporâneo. (continua…)

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Arquivo em pdf: A HUMANIDADE CONTRA SI MESMA – PARA UMA NOVA INTERPRETAÇÃO EPISTEMIOLÓGICA DO RACISMO E DE SEU PAPEL ESTRUTURANTE NA HISTÓRIA E NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

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Fonte: http://www.grupodea.org/maosdadas/arquivos/artigo_a_humanidade.pdf

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